sexta-feira, 22 de junho de 2012

Surftrip - Perú 2012

 Viajar é preciso...


Poemape

Poemape

Pacasmayo

Pacasmayo

Pacasmayo

Pacasmayo
Caballeros
Punta Rocas

 O Perú é sempre um destino agradavel para uma surftrip. Certeza de boas ondas, bons preços, boa comida e muita camaradagem. Esta foi minha terceira temporada neste pais andino e primeira vez na conhecida e longa esquerda de Pacasmayo.
Apesar de ter ido desta vez em Junho, com inteçao de pegar algumas ondas grandes. Nao fui brindado com nenhum swell de responsa nos meus 13 dias de viagem. O maior mar que pegamos marcava 5pés com 18 segundos. O que fez Pacasmayo funcionar bem. Peguei boas ondas de cerca de 2 metros nas maiores da serié. Limitando o surf a uma queda matinal, pois neste pico a correnteza e a remada de volta nao perdoa, e apos o almoço voce fica destruido.
O swell foi baixando e conheci tambem Poemape, uma outra esquerda classica com um tubo que roda logo no drop de frente as pedras. Apesar de parecer meio sinistro o lugar onde fica situada esta onda; a onda em si é bem tranquila, e dificilmente tem crowd. De Pacasmayo a Poemape sao 30 minutos, e é possivel pegar um tuque-tuque e fazer um bate-volta por 50 soles (cerca de 40 reais).
Em Pacasmayo ficamos no Hotel Los Faroles (http://www.pacasmayolosfaroles.com) que tem diarias a partir de 10 dolares. Recomendo nao comer na pousada, apesar da comida ser boa,  voce consegue arrumar lugares na cidade para comer com um bom preço e otimos pratos por cerca de 10 soles (uns 8 reias).
Com a ondulaçao indo embora e sabendo que os picos do norte peruano necesitam de um bom swell pra funcionar, rumamos para Punta Hermosa, pois é um pico bem constante e dificilmente se fica sem surfar por ali. Finalizamos a viagem surfando um swell pequeno, de 3pés com 16 segundos. No entanto proporcionando ondas de 1 metrinho em Punta Rocas, que é um dos picos mais contantes do litoral Peruano.
É isso ai meu caro leitor, se pretende surfar boas ondas, gastar pouco e comer bem. O Perú é uma otima pedida.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Outras Ondas


Trexo retirado do livro Outras Ondas de Fred D' Orey
Já vi esse filme. No começo a namorada dá a maior força. Ela tem orgulho de namorar um cara saúde que pega onda. Ela faz questão de incentivar porque sabe que ele volta feliz da vida depois das ondas. Ela adora praia, o cara surfa - foram feitos um para o outro. Depois, com o passar do tempo, a atitude muda. Ela até gosta que o cara surfe, mas... "tem que ser o tempo todo? Dá pra falar de outra coisa? Não dá pra gente fazer um programa diferente?" É o início do fim.

Ou do namoro do casal, ou do surf do cara. Porque as coisas evoluem de tal forma que, com raríssimas exceções, pranchas e namoradas acabam por se tornar rivais. E basta olhar em volta pra perceber quem está vencendo. Surf só no final de semana. Só em determinadas praias. Só em determinados horários. Acordos são feitos. "Fim de semana em Saquarema (melhor onda do Brasil!) nem pensar. Em São Conrado (melhor esquerda do Rio!) eu não vou nem morta, aquela praia é um lixo. Domingo tem que voltar antes do almoço com a mamãe."

Uma surf trip por ano com os amigos e olhe lá. E com isso a barriga dele vai crescendo, sua cor ficando cinza, e os olhos vão perdendo o brilho... Tem uma cena no filme 'A Praia', quando o Leonardo Di Caprio vira pra menina, depois de deixá-la fascinada com algumas bobagens que ele falou sobre as estrelas, e diz mais ou menos assim: "agora você tá achando tudo lindo, mas as mesmas coisas que te fascinam no começo vão te entediar no final". O cara tava falando de uma verdade quase universal sobre os relacionamentos. Mas podia estar falando especificamente de surf.

Me toquei disso porque outro dia fui pegar onda com a Ana e depois da sexta checada em quatro praias diferentes (fazer o que? Moro no brasil, onde o mar quase sempre é uma bomba), ela, levemente impaciente, arriscou: "aqui tá bom. Porque a gente não fica logo aqui?". Tá bom? Como assim tá bom? Você entende de surf desde quando? E tratei de explicar que surf é uma das coisas mais importantes da minha vida. Que trabalho pra burro. Que tenho pouco tempo. E que tenho que escolher direitinho minha caída. E mais importante, e que isso fique bem claro, se tiver dando onda eu vou correr atrás do melhor surf. Sempre! E se ela quiser vir comigo vai ter que ser paciente. Se não tiver saco pode ficar em Ipanema com as amigas.

Mulheres de surfistas são muito sortudas (levantem as mãos pros céus). Elas vão pra praia. Elas vão pra Prainha. Elas vão pra Guarda. Elas vão pra Bali. O som quase sempre é bom. A comida quase sempre é saudável. Surfistas procuram por praias sem muito vento, sem muita gente. Que tal namorar alpinista e se ver toda amarrada de cabeça pra baixo? Que tal namorar ciclista e ficar se esbaforindo pedalando atrás do cara? Que tal namorar um tenista e passar o fim de semana no clube? Que tal namorar um windsurfista e perseguir o vento, quanto mais vento melhor, e ficar mofando dentro do carro? Ou um lutador de jiu jitsu e acompanhar de perto seus treinos na academia, enquanto ele fica se pegando com outro orelhudo suado?

Nunca entendi direito o porque dessa metamorfose feminina. Talvez por uma necessidade ancestral de controlar e reduzir o macho apenas a sua condição de provedor familiar. Talvez por egoísmo. Talvez por falta de bom senso. Mas nem todo mundo tem vocação pra ovelha. Os australianos, por exemplo, que fazem parte da maior nação surf do planeta trataram desse assunto com seu peculiar humor escrachado estampando em camisetas os seguintes dizeres- "minha namorada mandou eu escolher entre ela e a prancha. Pena, vou morrer de saudade dela".
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